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Aprendendo a voar sozinho
O paulistano Gabriel comemora um passo importante em sua vida e prova que ser independente é questão de força de vontade.

Gabriel Seiji Toniolo tem 20 anos e nasceu com paralisia, que faz necessário o uso de muletas para a locomoção. É aluno do Projeto Caminheiros e está no Caminhando há um ano. Gabriel deu um passo importante para a sua independência há quase um mês: passou a vir de ônibus sozinho para as aulas. A família ainda tem receio, mas reconhece a importância da atitude para o desenvolvimento de Gabriel. “Isso vai facilitar a vida dele e a nossa”, diz a avó Taeko Watanabe, 65, artesã, que cuida de Gabriel desde que o garoto nasceu.

No Projeto Caminheiros Gabriel entra em contato com as rotinas e práticas do trabalho por meio de oficinas de montagem, com peças fornecidas por empresas parceiras, e reciclagem de garrafas pets. “Quero entrar logo em uma empresa”, anima-se o rapaz . “Agora que pego ônibus sozinho poderei também fazer o mesmo para chegar ao trabalho”, completa. Gabriel encontra-se na última etapa dos projetos, logo estará totalmente apto para ser encaminhado ao mercado de trabalho.

Mas os sonhos do menino não se resumem a ingressar em uma grande empresa. “Quero ser cantor sertanejo”, conta ele, que também diz compor suas próprias canções. A desenvoltura de Gabriel impressiona: no último evento de fim de ano do Caminhando foi ele o apresentador, e cumpriu com excelência a função. “Eu gosto de um microfone e um palco. Sou muito tagarela!”, diz. E seus talentos vão além: descendente de japoneses, o garoto arrisca suas palavras no idioma, considerado um dos mais difíceis de se aprender no mundo.

Sobre o trabalho do Caminhando para a vida de ambos, a avó diz que graças a sua participação em uma das ações promovidas pela organização dentro do Projeto Ciranda, entendeu que a independência é fundamental para o desenvolvimento do neto. Este projeto trabalha diretamente com os familiares dos atendidos, tem como um dos objetivos sensibilizar e orientar as famílias sobre a importância e necessidade dos educandos adquirirem independência na locomoção e utilização de transportes públicos. “A família representa um dos principais agentes do processo de inclusão social das pessoas com deficiência”, explica Nanci Lima, membro da diretoria voluntária do Caminhando.

As declarações de Gabriel mostram ainda um problema sério e antigo, mas que persiste até hoje a falta de acessibilidade das pessoas com deficiência aos meios de transportes públicos. “Minha maior preocupação não é no trajeto, mas na subida e descida do ônibus. Para subir e descer o primeiro degrau preciso de ajuda”, diz. Segundo ele, alguns motoristas de ônibus não param junto à guia, o que dificulta o embarque de deficientes físicos. “Mas quando o motorista já é conhecido ele sempre para próximo a calçada, e consigo pegar o ônibus sozinho”, finaliza.
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